6 de abril é o Dia Mundial da Atividade Física, uma excelente data para reforçar uma prática que é essencial para manter a saúde em dia e uma vida acompanhada de bem-estar: os exercícios físicos. A Campinas Café preparou uma matéria com uma série de benefícios na prática, como prevenção de doenças hepáticas e metabólicas, até a melhora do humor e tratamento da ansiedade.

A médica Dra. Aline Lamaita colaborou com a produção. “A prática de exercícios físicos aumenta o fluxo da circulação do sangue e melhora o retorno venoso com a finalidade de levar oxigênio às células dos músculos e tecidos próximos. Assim como o sangue chega nos membros inferiores, ele precisa retornar ao coração para ser bombeado novamente. Além de contribuir para a queima de gordura, o exercício ajuda a desenvolver os músculos e fortalecer o sistema imunológico”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Confira os benefícios diretos e reais do exercício físico, com base nos 4 grandes últimos estudos a respeito do tema:

Exercício físico previne desenvolvimento de doenças hepáticas

Um estudo alemão recente, publicado no final de dezembro na revista Molecular Metabolism, destaca que o exercício físico também pode prevenir o desenvolvimento de fígado gorduroso e doenças hepáticas. “O trabalho mostra quais adaptações moleculares, em particular das mitocôndrias hepáticas, podem ser observadas neste processo. As mitocôndrias são consideradas o pulmão das células. A sua tarefa é disponibilizar energia para a célula, o que ocorre por meio da respiração celular. Este é um processo metabólico no qual a energia é obtida a partir da glicose e outras substâncias orgânicas, por reações químicas, que resultam em trifosfato de adenosina, ou ATP. Esta é a molécula de energia mais importante do corpo. As mitocôndrias são, portanto, também consideradas as usinas de energia da célula. O estudo demonstrou que o estímulo das mitocôndrias isoladas do fígado, que ocorre por meio dos exercícios físicos, é especialmente benéfico para reduzir o armazenamento de gordura no órgão, o que diminui os riscos de doenças hepáticas”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Apenas 10 minutos de corrida moderada já beneficiam o cérebro

Você já certamente ouviu falar que correr é um esporte maravilhoso para o coração e a circulação das pernas, além de trazer benefícios para a pele e até para o cérebro. Recentemente, um estudo da Universidade de Tsukuba (Japão) descobriu que não é preciso muito tempo de corrida para beneficiar a saúde mental: apenas 10 minutos de corrida de intensidade moderada aumentam o fluxo sanguíneo local no córtex pré-frontal bilateral – a parte do cérebro que desempenha um papel importante no controle do humor e das funções executivas. Esses achados podem contribuir para o desenvolvimento de uma gama mais ampla de recomendações de tratamento para beneficiar a saúde mental. “O exercício melhora o fluxo sanguíneo e protege a memória; estimula mudanças químicas no cérebro que apuram o aprendizado, o humor e o pensamento. O exercício mantém suas habilidades de raciocínio afiadas. Além de aperfeiçoar a saúde do coração, exercícios regulares de resistência, como correr, nadar ou andar de bicicleta, também podem promover o crescimento de novas células cerebrais e preservar as células cerebrais existentes”, diz o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). O estudo foi publicado no final de novembro na Scientific Reports, publicação do periódico Nature. “A forma e a eficiência únicas da corrida humana, que inclui a capacidade de sustentar esse esforço, estão intimamente ligados ao sucesso evolutivo dos humanos”, destaca o estudo. O neuro-oncologista concorda: “Correr pode criar novos neurônios, ajudando o organismo a envelhecer com saúde”, diz o Dr. Gabriel.

Exercícios físicos também ajudam a tratar ansiedade, inclusive crônica

Os exercícios moderados e extenuantes aliviam os sintomas de ansiedade, mesmo quando o distúrbio é crônico, mostra um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Gotemburgo. O estudo publicado na edição de janeiro do Journal of Affective Disorders é baseado em acompanhamento com 286 pacientes com síndrome de ansiedade. “Os resultados mostram que seus sintomas de ansiedade foram significativamente aliviados, mesmo quando a ansiedade era uma condição crônica, em comparação com um grupo de controle que recebeu aconselhamento sobre atividade física de acordo com as recomendações de saúde pública. Os tratamentos padrão de hoje para a ansiedade são a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e o tratamento farmacológico, mas o estudo mostra que a adoção de hábitos saudáveis pode melhorar o tratamento”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez. “A atividade física regular diminui o risco de vários distúrbios comuns, inclusive condições neurológicas, ajudando a tratá-la”, explica o geneticista. “A liberação de endorfina por meio dos exercícios gera reações de euforia e bem-estar, que também ajudam a manter o humor”, completa o neuro-oncologista Dr. Gabriel Batistella.

Atividade física previne complicações na gravidez

“Realizar atividades físicas durante a gravidez reduz o risco de complicações obstétricas, auxilia no controle do peso e aumenta o bem-estar da mulher, diminuindo o estresse e a tensão emocional que marcam esse período”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo. E, de acordo com um estudo publicado na revista médica Diabetes Care, a prática de atividade física é especialmente benéfica durante o primeiro trimestre da gestação, já que pode ajudar a reduzir o risco de diabetes gestacional. “Enquadra-se como diabetes gestacional todo quadro diabético diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez, o que pode trazer uma série de complicações durante a gestação, parto e até mesmo após o nascimento da criança, já que tanto a mãe quanto o bebê passam a ter maior predisposição a sofrer com diabetes futuramente. Hoje sabemos que de 6 a 10 mulheres a cada 100 gestantes sofrem com diabetes gestacional. Logo, a informação de que ser mais ativa pode reduzir esse número para duas a cada 100 gestantes é realmente valiosa””, destaca o médico.

Foi convencido de que o melhor é começar? Os estudos são uma importante contribuição para que possamos entender o papel do estilo de vida e da adoção de hábitos saudáveis com objetivo de prevenir doenças.

Fontes

Dra. Marcella Garcez: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento.

Dra. Aline Lamaita: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000). Tem Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557

Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, também é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

Dr. Rodrigo Rosa: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

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