No dia 26 de agosto é comemorado o Dia Internacional da Igualdade Feminina. Muito se tem falado a respeito da igualdade de gênero e de equidade salarial. Porém, e sobre a saúde da mulher, qual o tipo de igualdade é abordado? De acordo com o oncologista André Sasse, CEO do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, infelizmente o acesso aos serviços de saúde e a qualidade da assistência ofertada às mulheres está longe de ser igual para todas. Desta forma, existe ainda muito fortemente, conforme apontado pelo médico, desigualdade entre as próprias mulheres no que diz respeito ao cuidado com a saúde.

“Quando falamos sobre o câncer de mama no cenário brasileiro, por exemplo, as taxas de mortalidade estão fortemente relacionadas ao acesso aos serviços de saúde e à qualidade da assistência que é ofertada às mulheres com esse tipo de tumor. No mundo, as estimativas de sobrevida em cinco anos mostraram uma tendência de aumento em países desenvolvidos; no Brasil, principalmente entre as mulheres que dependem da saúde pública, isso não é observado”, afirma.

Dados do importante estudo Concord-3 (ALLemANI, 2018) mostram que, no Brasil, as estimativas de sobrevida em cinco anos foram de 76,9% (75,5 – 78) para o período de 2005 a 2009 e de 75,2% (73,9 – 76,5) para o período de 2010 a 2014.

Dia Internacional da Igualdade Feminina

“Algumas diferenças são reveladas quando os casos são comparados por regiões do país nos últimos três anos de atualização da base de dados. A proporção de casos de tumor classificados como doença avançada (estádios III e IV) antes do início do tratamento é maior na região Norte (50,1%). Nas regiões Sul e Sudeste, a proporção de mulheres que chegam ao hospital com doença inicial (estádios 0, I e II) é de 66,6% e 65,1%, respectivamente”, comenta Sasse.

O especialista explica ainda que quando são analisadas as informações considerando a escolaridade da mulher o cenário muda consideravelmente. “Conforme aumenta o nível de escolaridade, cresce a proporção de casos que iniciam o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. Claramente, as mulheres com mais acesso às informações e aos serviços de saúde recebem mais rapidamente o tratamento”, afirma.

Dados

O câncer de mama é um dos desafios no cenário atual de envelhecimento populacional e enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. É o tipo de câncer que mais acomete as mulheres no Brasil e segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) as estimativas de incidência para o ano de 2019 são de 59.700 casos novos, o que representa 29,5% dos cânceres em mulheres. É também o tipo de câncer que mais mata. Em 2016, foram registrados, no Brasil, 16.069 óbitos por câncer de mama em mulheres.

* André Deeke Sasse, oncologista, professor de pós-graduação na FCM-Unicamp, membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO). Fundador do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia e atua na coordenação da oncologia do Hospital Vera Cruz, do Instituto do Radium e do Hospital Santa Tereza. André é coordenador da Oncologia Clínica do Hospital PUC-Campinas e faz a preceptoria dos residentes do hospital.

Sobre o Grupo SOnHe

O Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, é formado por oncologistas e hematologista que fazem o atendimento oncológico humanizado e multidisciplinar no Hospital Vera Cruz, Hospital Santa Tereza e Instituto do Radium, três importantes centros de tratamento de câncer em Campinas. A equipe oferece excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento de forma ética, científica e humanitária, por meio de uma equipe inovadora e sempre comprometida com o ser humano. O SOnHe é formado pelos oncologistas: André Deeke Sasse, David Pinheiro Cunha, Vinicius Correa da Conceição, Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, Adolfo Scherr, Rafael Luís,  Fernanda Proa Ferreira,  Susana Ramalho e Ana Paula Stramosk.

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