Por Mariana Arruda

Tecnologia, mudanças no mercado, novas profissões. O futuro reserva um cenário incerto e cheio de mistérios para os profissionais. De acordo com a mestre em música da FACAMP, Sandra Ciocci, as competências humanas não serão substituídas pela robotização. A criatividade, por exemplo, chega para provar que ela é a habilidade que permite novos significados, com possibilidades de relações, metáforas, ideias inusitadas: características fundamentais que separam o homem dos robôs. Afinal, as máquinas são programadas para processar e aplicar regras de modo eficiente, mas não possuem a habilidade de quebrar regras, mudar o jogo, redefinir padrões, buscar feedbacks e interagir. “Essa capacidade humana de valor universal será inerente para obter o sucesso profissional”, explica Sandra. É o que comprova a pesquisa “The skills companies need most in 2019”, realizada pelo LinkedIn, em janeiro deste ano, que mostra a competência como a primeira mais requisitada pelas empresas na hora da contratação.

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A publicitária e fundadora do Sete Criativo, Paula Franceschini, reforça a necessidade de uma mente criativa. “A vantagem é poder reinventar tudo, não aceitar as respostas já presentes, criar novas soluções. É experimentar a liberdade”, explica.

Afinal, o que é ser criativo?

“A própria tentativa de definir o que é criatividade já estimula a nossa mente em reunir conhecimentos e fazer associações para gerar uma resposta, no mínimo, criativa”, é o que explica Raisa Garcia, fundadora da Agência Nômade em conjunto com Lucas Servidoni.

Raisa Garcia e Lucas Servidoni na Campus Party, jornada multidisciplinar de tecnologia e educação

O dicionário Aurélio define criatividade como a qualidade de quem tem ideias originais. Ou seja, trata-se da forma como a pessoa utiliza o conjunto de repertório, como memórias, conhecimentos e habilidades, para resolver um problema. “É importante destacar também que criatividade não precisa necessariamente ser aplicada para resolver um problema externo, mas pode servir para satisfazer em algum grau o indivíduo, como no caso das artes, da música ou até mesmo de como um exercício intelectual”, diz Lucas Foster, o psicólogo brasileiro idealizador do Prêmio Brasil Criativo e do World Creativity Day.

Habilidade

De acordo com Lucas Foster, qualquer pessoa pode ser criativa. “É fundamental que o indivíduo tenha uma percepção positiva sobre si mesmo e que tenha desenvolvido uma capacidade de interagir de maneira curiosa e horizontal com o mundo a sua volta”. Ou seja, a pessoa com funções cognitivas e neurológicas preservadas é capaz de utilizar seu repertório. “Para isso, é importante que educadores, pais e líderes construam um ambiente de confiança, encorajamento e desafios estimulantes”, completa.

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Lucas Foster é psicólogo brasileiro e idealizador do Prêmio Brasil Criativo

Raisa Garcia também chama a atenção para o mito da criatividade como dom. “Precisamos ter em mente quais são os gatilhos que facilitam o nosso processo criativo e apostar neles. Também é importante identificar os hábitos que nos desestimulam a fim de transformá-los, como sugere o livro ‘O Poder do Hábito’, de Charles Duhigg”, conta.

O poder do erro

Você já ouviu falar em Brainstorming? Utilizada em grandes corporações, a técnica fomenta o nascimento de ideias. Segundo Paula, a ferramenta de construção não mata as ideias que as pessoas lançam impulsivamente. “A permissão ao erro é um dos ingredientes para fomentar a criatividade”. A publicitária finaliza com uma dica: “é importante que as pessoas estejam descansadas e que tenham pesquisado sobre o assunto para que o Brainstorming seja efetivo”.

3 passos para ser criativo

  • Tenha referências!
    Livros, jornais, revistas e cinema nunca são demais. Ao entrar em contato com diferentes ideias, será mais fácil estabelecer relações.
  • Estimule o senso crítico
    Questione e analise os acontecimentos a sua volta. Quando relacionado com as coisas que você já viu e viveu, fica ainda mais fácil!
  • Não tenha medo!
    Aceitar o erro é um grande passo para atingir o sucesso criativo. Veja esses momentos como uma forma de aprender e aprimorar as suas ideias.

Celebre a ideia!

Como competência do futuro, a criatividade ganhou um dia para ser celebrado. Por isso, Lucas Foster, idealizador do Prêmio Brasil Criativo e um dos principais nomes da economia criativa no Brasil, criou o World Creativity Day (Dia Mundial da Criatividade, em inglês), celebrado no dia 21 de abril. Dessa forma, 50 cidades brasileiras, como Campinas, fizeram parte do movimento gratuito com o objetivo de democratizar e desmistificar a criatividade para encorajar as pessoas a utilizarem seu potencial criativo para buscar novas maneiras de lidar com antigas e novas questões. De acordo com Lucas, o fato da Organização das Nações Unidas (ONU) ter designado o Dia Mundial da Criatividade e Inovação para todos os países no mesmo dia reflete o incentivo a essas ações. “Ela pode ser celebrada sim durante um dia inteiro, mas pode ser usada diariamente todos os dias do ano para que possamos catalisar o desenvolvimento de uma comunidade, através da educação, da tecnologia e do empreendedorismo”, diz.

 

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