Por Karina Fusco

Acompanhar a avó materna nos preparos de iguarias é algo comum entre muitas crianças e geralmente não rende mais do que momentos de ternura e noções para fazer umas receitas na cozinha no futuro. Mas, para o campineiro José Negreiros, de 37 anos, foi essencial para mudar os rumos profissionais.

Formado em Direito, ele atuou como auditor financeiro na IBM por 16 anos. Cansado da rotina estressante, ele traçou uma estratégia para poder se dedicar a algo que lhe dava mais prazer e um novo sentido à sua vida: a confeitaria. “Comecei a dar aulas de jiu-jitsu à noite e para complementar a renda, eu fazia doces, como trufa, cannoli e macaron para venda rápida durante o dia. Até que resolvi encarar a confeitaria como profissão”, revela.

A decisão tomada há cinco anos implicava destinar um espaço de sua residência para abrir o seu ateliê sabendo que teria que dar duro entre as colheres e espátulas para despontar no mercado. “Comecei a me inscrever em todos os reality shows de gastronomia, até que no ano passado fui chamado para participar do Bake Off Brasil, exibido pelo SBT e também pelo Discovery Home & Health”, revela. E aquele que entrou como “a grande zebra” foi se destacando, se dando bem ao longo das etapas e chegou até a final da competição. “Eram provas complicadas e fui mostrando que eu sou grandão, mas sei fazer coisas delicadas na confeitaria”, diverte-se.

Em uma das ocasiões em que ganhou o avental como o melhor confeiteiro do programa, foi chamado pela apresentadora da atração, Carol Fiorentino, de “O Rei do Cannoli de Campinas”.

“Comecei a dar aulas de jiu-jitsu para complementar a renda e fazia doces para venda rápida durante o dia. Até que resolvi encarar a confeitaria como profissão” (Foto: divulgação) 
Os impactos do programa

Negreiros não foi o grande vencedor (ele ficou em terceiro lugar), mas a partir dessa experiência exibida em rede nacional, viu sua nova atividade ascender. “A principal mudança foi da minha clientela. Meus produtos passaram a ser procurados também por pessoas com maior poder de compra. Além disso, passei a ser convidado para participar de eventos de gastronomia, tenho patrocínio para quase todos os insumos que eu uso”, relata.

As aulas com carga-horária média de quatro horas ministradas em seu ateliê, localizado no bairro Nova Campinas, também registram maior procura. E como não poderia deixar de ser, o carro-chefe é justamente o curso de cannoli siciliano. “Minha avó (brasileira, descendente de italianos) aprendeu com a sogra dela, que era italiana, a preparar o doce e passou todo o conhecimento para mim”, orgulha-se.

Negreiros enxerga êxito em sua trajetória. Além de melhor qualidade de vida e mais tempo para conviver com a família, viver da confeitaria tem garantido a ele a conquista de novos sonhos e objetivos (Fotos: divulgação)

Com a carreira seguindo de vento em popa, hoje Negreiros olha para trás e enxerga êxito em sua trajetória. Além da conquista de melhor qualidade de vida e mais tempo para conviver com a família, sobretudo com a esposa e com o filho de dois anos e meio, viver da confeitaria também tem garantido a ele a conquista de novos sonhos e objetivos. “Minha maior realização é ser reconhecido como um bom confeiteiro”, despista, mas logo em seguida entrega: “só em maio do próximo ano poderei revelar um novo sonho que se realizou. Além disso, agora em novembro começo a gravar o piloto de um programa”.

Mas nem só de glacê vive o confeiteiro sensação do momento. Em sua agenda, ele sempre encontra tempo para treinar jiu-jitsu, esporte que pratica há 24 anos. “Estou me preparando para participar do mundial em Las Vegas, em 2019”, relata. Será que vem por aí mais uma conquista?

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