Por Raíssa Zogbi

A proporção comprova a febre. São 234,7 milhões de celulares no Brasil atualmente, de acordo com dados da Anatel. Ou seja, existe mais de 1 celular por habitante, o que indica um comportamento  não mais restrito ao público adolescente e jovem.  E, além dos desencadeamentos mentais e psicológicos que esse vício pode causar, existem comprometimentos motores e físicos que surgem cada vez mais cedo na vida das pessoas. Isso porque a postura ao mexer no celular é inadequada e sobrecarrega o peso do pescoço sobre a coluna. “Posturas prolongadas em flexão do pescoço levam a sobrecarga da musculatura posterior, que acabam por causar fadiga muscular e dor”, explica o Professor Doutor do Departamento de Neurologia da Universidade de Campinas (UNICAMP) Neurocirurgião com atuação em doenças da coluna vertebral, Andrei Joaquim.

Postura e smartphone

Para se ter ideia, o peso médio da cabeça humana é de 5kg. Ao inclinar o pescoço para frente para utilizar o smartphone, esse peso aumenta consideravelmente. Segundo um estudo realizado na National Library of Medicine, pelo chefe de cirurgia da coluna no Centro de Reabilitação da Medicine e Surgical Spine, em Nova Iorque, Kenneth Hansraj, uma inclinação de 60o equivale a uma projeção de 27kg. Além disso, a pesquisa revelou que uma pessoa fica, em média, de três a quatro horas olhando para o aparelho em postura inadequada.

Essa posição é responsável pelo que os especialistas chamam de Síndrome do Pescoço de Texto, caracterizada por dores no pescoço, nos ombros, na parte superior das costas e pela sensação de peso na região cervical. “Esses sintomas acometem todas as idades, mas em crianças, em que as dores musculares não são tão comuns, a incidência vem aumentando”, conta o médico.

De acordo com o fisioterapeuta especialista em Pilates e coordenador da Companhia Brasileira de Reabilitação – CBR e Núcle Brasileiro de Ensino e Saúde – NUBRAES, Fabiano Carvalho, isso acontece porque as crianças têm acesso aos celulares cada vez mais cedo. “Um bebê de um ano já é entretido a uma tela de celular para comer. Quando alcançar 20 anos, possivelmente apresentará dores na região do pescoço, dores de cabeça, alterações nas curvaturas naturais da coluna, hérnias de disco, bicos de papagaio, entre outras complicações na coluna vertebral”, explica. Nos idosos, que já tem o comprometimento natural do envelhecimento, o problema pode ser ainda mais grave, de acordo com ele.

Postura e smartphone

O profissional lembra, também, de que existem outros fatores que intensificam os problemas cervicais. “Um colchão e postura inadequados para dormir, deitar incorretamente para assistir televisão no sofá, usar o computador de forma imprópria e não praticar exercícios físicos regularmente” são hábitos que podem aumentar os problemas da coluna. O Pilates é uma sugestão que ameniza este mal, segundo ele. “Os exercícios específicos de fortalecimento muscular garantem que a coluna seja preservada e capaz de suportar essas descargas de peso e compensações causadas pelo celular”, finaliza Fabiano. Anote algumas dicas do fisioterapeuta que contribuem para uma postura equilibrada!

Postura e smartphone

Dicas:

– Dê preferência às mensagens gravadas e não digitadas;

– Durante a digitação, crie um apoio para seu antebraço, distancie o aparelho o máximo possível e posicione a tela na altura do seu olhar, evitando projetar a cabeça para baixo;

– Faça pausas a cada 60 minutos. Levante, ande e espreguice.

– Mova sua cabeça por 20 segundos levemente para cima e para baixo, para um lado e para o outro e em direção ao ombro;

– Faça alongamentos que promovem relaxamento muscular e aliviam as dores crônicas e tensões na região.

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