Por Karina Fusco

Depois de seis anos à frente da Arquidiocese de Campinas, Dom Airton José dos Santos, se prepara para um novo desafio. Nomeado pelo Papa Francisco para assumir a Arquidiocese de Mariana, ele se mudará em breve para lá.

A notícia veio do Vaticano para a Nunciatura Apostólica do Brasil e chegou até ele no dia 27 de março, bem na Terça-feira Santa, mas como determina o protocolo, foi obrigado a manter segredo até sua publicação, em 25 de abril. “Estou a serviço da igreja. Não somos donos do tempo. Ele pertence a Deus”, diz o religioso. Gratidão e reconhecimento foram as palavras que encontrou para explicar o que sentiu naquele momento.  “Sou muito agradecido ao Papa pela escolha do meu nome e também por esses seis anos em que estive aqui e pelo que consegui realizar e crescer”, afirma.

Desde 12 de abril de 2012, quando chegou em Campinas, ele trabalhou em diversas frentes nos nove municípios que compõem a arquidiocese. Foram criadas 16 paróquias, desenvolvidos projetos relacionados ao movimento pastoral, esteve muito presente nas funções atreladas aos cargos de grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e presidente da mantenedora da Sociedade Campineira de Educação e Instrução, trabalhou para viabilizar a restauração do antigo Solar do Barão, onde funcionava o campus central da instituição, lutou para que o Hospital da PUC se modernizasse e continuasse oferecendo atendimento à população. “Em qualquer área, as ações são movidas pela fé. O dinamismo vai permanecer e a igreja continuará o trabalho”, defende. Sobre o legado que deixa para Campinas, ele diz apenas que sua pretensão foi realizar bem o seu trabalho.

Sua posse canônica em Mariana está marcada para 23 de junho, mas até lá Dom Airton exerce aqui o papel de administrador diocesano.

A vida religiosa

Natural de Bom Repouso, no sul de Minas Gerais, Dom Airton acredita que sua aproximação com a igreja se deu quando ele nasceu. Primeiro filho de uma família católica, na qual todos os homens têm José no nome e as mulheres têm Maria, em referência aos pais de Jesus Cristo, ele guarda boas recordações de seu estado natal, mas é do período em que viveu entre São Bernardo do Campo e Santo André que as lembranças são mais fortes. “Saímos de Minas Gerais em 1964, quando eu tinha oito anos, mas eu sempre voltava para passar férias. Morei 40 anos no ABC. Foi ali que vivi o fim da infância, a juventude, entrei no seminário, me tornei padre, fui eleito bispo auxiliar no final de 2001e fiquei até meados de 2004, quando fui transferido para Mogi das Cruzes”, relata.

Embora sempre estivesse perto da igreja e já tivesse manifestado seu desejo de ser tornar padre aos 15 anos, o jovem Airton trabalhou como operário na fábrica da Lorenzetti, no bairro do Belém, em São Paulo, e depois em uma fábrica em São Bernardo. “Comecei aos 12 anos no setor de aprendizes”, conta. Pensou em cursar História ou Filosofia, mas preferiu seguir sua vocação e após participar da reflexão vocacional, aos 22 anos entrou no seminário. “Foi um processo natural”, considera.

Inspirações e devoção

Entre as personalidades que o inspiram, ele cita Dom Cláudio Hummes, Dom Hélder Câmara, o Papa João Paulo II, Santa Teresa de Calcutá e ainda Padre Antônio Vieira e G. K. Chesterton.

São José, São Judas Tadeu e Nossa Senhora do Carmo são os santos de sua grande devoção. Mas ao longo da vida, se deu conta de que desde que entrou no seminário sempre esteve em paróquias dedicadas à Nossa Senhora. “No ABC estive nas paróquias de Nossa Senhora Auxiliadora, Imaculada Conceição, Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora do Carmo”, revela.

Depois, ao se mudar para Mogi das Cruzes, Sant’Anna, a mãe de Nossa Senhora, era a padroeira da cidade e em Campinas, é Nossa Senhora da Conceição. “Agora, em Mariana, a padroeira da arquidiocese é Nossa Senhora da Assunção e da cidade é Nossa Senhora do Carmo. Sempre me deparo com Nossa Senhora”, diz.

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