A exposição interativa Pasteur, o Cientista, que homenageia a trajetória do emblemático cientista Louis Pasteur, chega ao Sesc Campinas em 24 de junho. Um dia antes, na quarta-feira, às 20h30, o Sesc promove em seu canal do YouTube uma abertura virtual da mostra, com a participação dos pesquisadores Hugo Fernandes e Pedro Hallal, que irão refletir sobre “A importância da ciência para o desenvolvimento de um projeto de saúde” em um bate-papo mediado pela médica sanitarista Sílvia Santiago.

‘Pasteur, o cientista’ abertura da exposição. Foto: Renata Teixeira

Organizada e concebida pela Universcience (órgão do Ministério da Cultura da França), a exposição é uma realização no Brasil do Sesc SP, com patrocínio do Magazine Luiza e apoio da Embaixada da França no Brasil, da Fiocruz e do Instituto Butantan. A mostra faz uma permanente contextualização da trajetória de Louis Pasteur, principalmente em relação aos acontecimentos da Europa e às descobertas do chamado século das invenções, em que surgiram o trem, a fotografia e o cinema, os motores a explosão, dirigíveis, telégrafo, telefone, iluminação pública e tantos outros símbolos da modernidade.

Mais que tudo, Pasteur, o Cientista traz à discussão a valorização da ciência e da História como elementos constituintes não somente da memória e da identidade, mas como a mais sólida base para o crescimento e o desenvolvimento da humanidade.

Foto: Renata Teixeira
A exposição fica aberta ao público, gratuitamente, de terça-feira a sexta-feira, às 10h30, 13h30, 16h, 18h; e aos sábados, às 10h30 e às 12h30. Seguindo todas as recomendações de segurança sanitárias e com quantidade limitada de pessoas, as visitas serão feitas por meio de agendamento pelo link.

Quem foi Louis Pasteur

Pasteur, nascido no interior da França em 1822, de uma família de curtidores de couro, fez avançar a Química e a Medicina no século XIX e, como um dos criadores da Microbiologia, redefiniu horizontes ao provar que existem micro-organismos e como eles se reproduzem, proliferam, colonizam outros organismos e são responsáveis pelas doenças infecciosas.

Foto: Renata Teixeira

Estudou germes, vírus, fungos e demais “seres infinitamente pequenos”. Estabeleceu, assim, novos paradigmas para as ciências e novos procedimentos inclusive para a Medicina, salvando incontáveis vidas ao introduzir a assepsia nos cuidados com doentes. Antes disso, era comum que os médicos sequer lavassem as mãos nos atendimentos.

Pesquisador respeitado entre seus pares – era de um extremo rigor nos métodos -, ganhou fama mundial também junto ao grande público ao descobrir a vacina contra a raiva, em 1885. No Brasil, tinha muitos seguidores e admiradores, entre os quais o imperador Pedro II. Oswaldo Cruz foi um dos cientistas que trabalharam na esteira de suas realizações.

Ciência Aplicada à Vida Prática

Pasteur não foi o primeiro nem a o único a criar uma vacina, mas sua pesquisa e a aplicação da antirrábica o transformou em símbolo da imunização. Era um cientista com visão aplicada: trabalhou na pesquisa ligada à indústria e a atividades econômicas importantes, aperfeiçoando métodos de cultivo e processamento de indústrias importantes como as do vinho, da seda e de animais de corte. Resolveu problemas logísticos – seu nome batiza o processo de conservação de alimentos batizado como pasteurização – e salvou atividades econômicas prejudicadas por pragas.

Foto: Renata Teixeira

Foi também um brilhante comunicador e hoje, diria-se um ser midiático. Sabia chamar a atenção da comunidade científica e da população para assegurar que suas descobertas chegassem ao maior número possível de pessoas, com demonstrações públicas e grandiloquentes de suas descobertas. “Para provar ao público reunido na Sorbonne que as bactérias estavam por toda parte, mesmo no ar, ele direcionou um projetor de luz para iluminar os grãos de poeira”, ri Astrid Aron, museógrafa da exposição.

Era também um empreendedor, registrando patentes e criando empresas para explorar suas descobertas. “Seu principal objetivo não era reunir uma fortuna, mas assegurar fundos para prosseguir com as pesquisas” explica o curador científico Maxime Schartz, ex-diretor geral do Instituto Pasteur. “Podemos até dizer que Pasteur era uma espécie de precursor das start-ups de hoje”, conclui.

Foto: Renata Teixeira

A fama conquistada pela vitória contra a raiva, com a vacina pioneira em 1885 permitiu que levantasse fundos internacionais para fundar, três anos depois, o Instituto Pasteur, com braços pelo mundo, para disseminar a imunização.

Exposição dividida em atos

As descobertas da ciência por meio de experiências interativas

“Pasteur, o Cientista” celebra vida e obra do gênio através de vídeos, grafismos, animações, projeções, textos e desenhos. A mostra estreou no Palais de la Découvert, em Paris, em dezembro de 2017, ficando em cartaz até agosto de 2018. Ali, o visitante não apenas conhece a ciência do século XIX – época de desenvolvimento e inovações – mas revive as descobertas de Pasteur em experiências interativas.

Estruturada em seis atos, como uma peça de teatro, a exposição apresenta as descobertas de Pasteur em ordem cronológica: da solução de um enigma químico – cristais de ácido do vinho aparentemente iguais reagiam à luz de forma diferente – até a vitória contra a raiva, doença até então incurável.

Foto: Renata Teixeira

Um busto de Pasteur recebe os visitantes e, sobre ele, é projetado um videomapping – imagens em 3D, enquanto a voz de Marie Pasteur narra a trajetória do marido. Uma curiosidade: o considerável talento artístico do pesquisador quando jovem é mostrado na reprodução de telas pintadas entre os 13 e os 20 anos.

Seguem-se ambientes em que filmes, aparelhos, mecanismos, jogos de charadas, vitrines mágicas e instrumentos de época desfilam as descobertas de Louis Pasteur na Química, no trabalho com os micro-organismos e na imunização de animais e seres humanos.

Foto: Renata Teixeira

O visitante pode entender, por exemplo, a pesquisa da vacina antirrábica num filme de animação em que uma menina, espiando da casa vizinha à do laboratório, acompanha os testes de Pasteur em coelhos; entende, através de um “microscópio”, como micro- organismos podem sobreviver sem oxigênio; espia pelo gargalo de garrafas de vinho para descobrir os segredos da fermentação da bebida; decifra junto com Pasteur o segredo dos “pastos malditos”, locais onde rebanhos inteiros morriam de antraz, entre outras atividades.

No final, um módulo especialmente produzido faz a ligação de Pasteur com o Brasil: pesquisas desenvolvidas por aqui, a admiração de D. Pedro II pelo cientista, o desenvolvimento nacional da produção de vacinas pelos Institutos Butantan e Oswaldo Cruz.

Foto: Renata Teixeira

“O trabalho de Pasteur”, conclui Maxime Scwhartz, “pode estimular que as crianças entendam e amem a ciência. Acho que é uma meta que devemos manter em nossas cabeças e corações”.

A MOSTRA – Ato a Ato

PRÓLOGO – Busto de Pasteur recebe os visitantes com projeções de videomapping. Um grande ciclorama pontua a história cultural do século 19.

ATO 1 – CRISTAIS E DISSIMETRIA (1847-1857)

O início de tudo: aos 21 anos, Pasteur decide – e consegue – resolver um mistério da ciência. Aqui, filme, experiência ótica e jogo de classificação ajudam a entender o processo.

ATO 2 – FERMENTAÇÕES (1857-1876)

Pasteur e os micro-organismos da fermentação: como o cientista inventou a pasteurização e resolveu impasses de indústrias como a da cerveja e do vinho. Aqui também começa a relacionar contaminação por micro-organismos e doenças. Microscópios e jogos proporcionam a interação nesse ato.

ATO 3 – GERAÇÕES ESPONTÂNEAS (1859-1864)

A polêmica do surgimento dos micro-organismos: de onde vêm? Pasteur enfrenta outros cientistas e prova sua teoria. O visitante descobre como foi, passo a passo, na multimídia instalada em vitrine mágica.

ATO 4 – DOENÇAS DOS BICHOS-DA-SEDA (1865-1869)

Pasteur salva a indústria da seda, eliminando doenças dos insetos produtores, na sua primeira pesquisa em patologias animais. Maquetes, equipamentos de época e dioramas ilustram o método e as descobertas.

ATO 5 – DOENÇAS INFECCIOSAS E VACINAS (1876-1895)

A pesquisa de Pasteur das vacinas para doenças dos animais se amplia. Galinhas e carneiros recebem vacinas em experiências bem sucedidas. O cientista ganha fama mundial com a invenção da vacina contra a raiva. Um cenário de fazenda, jogos sobre as vacinas, filmes e maquetes contam essa história.

EPÍLOGO – PASTEUR E O BRASIL

Enquanto Louis Pasteur fazia a ciência avançar na Europa, os reflexos se suas pesquisas chegavam ao Brasil. D. Pedro II era um grande admirador do cientista, trocou correspondência com ele, tentou trazê-lo para o Brasil e fez uma grande contribuição para a criação do Instituto Pasteur. Foram fundados institutos de pesquisa e diversos cientistas e médicos brasileiros se destacaram na área, em especial Vital Brazil e Oswaldo Cruz.

O público pode visitar a exposição de forma gratuita e presencial, mediante agendamento prévio online através da página de cada unidade no Portal do Sesc São Paulo ou no site. Para assegurar o distanciamento recomendado entre os visitantes, as vagas para as sessões são limitadas e variam conforme a unidade, sempre respeitando o limite de até cinco pessoas a cada 100 m2 e a ocupação limitada da capacidade total de cada local. O uso de máscara é obrigatório durante todo período de permanência na unidade.

AÇÃO URGENTE CONTRA A FOME

Com o objetivo de ampliar a rede de solidariedade para levar comida às pessoas em situação de vulnerabilidade social, o Sesc São Paulo realiza campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis nas unidades em todo o estado. São mais de 40 pontos de coleta na capital, Grande São Paulo, interior e litoral. As doações são distribuídas às instituições sociais parceiras do Mesa Brasil Sesc São Paulo, que repassam os itens para as 120 mil famílias assistidas.
A Ação Urgente Contra a Fome é uma iniciativa do Sesc São Paulo, por intermédio do Mesa Brasil, programa criado pela instituição há 26 anos que busca alimentos onde sobra para distribuir aos lugares em que falta. O que doar: alimentos não perecíveis como arroz, feijão, leite em pó, óleo, fubá, sardinha em lata, macarrão, molho de tomate, farinha de milho e farinha de mandioca. O Sesc conscientiza a população sobre a importância da doação responsável, com itens de qualidade e dentro da validade.

MESA BRASIL SESC SÃO PAULO 

Paralelamente à campanha Ação Urgente contra Fome, a rede de solidariedade que une empresas doadoras e instituições sociais cadastradas segue suas atividades, buscando onde sobra e entregando em lugares onde falta, contribuindo para a redução da condição de insegurança alimentar de crianças, jovens, adultos e idosos e a diminuição do desperdício de alimentos.

Hoje, 19 unidades do Sesc no estado – na capital, interior e litoral – operam o Mesa Brasil. As equipes responsáveis pela coleta e entrega diária de alimentos foram especialmente capacitadas para os protocolos de prevenção à Covid-19, com todas as informações e equipamentos de proteção individuais e coletivos necessários para evitar o contágio.

Saiba mais no site.

Serviço

Pasteur, o Cientista
Local: Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/ 333 – Bonfim, Campinas
Período expositivo: A partir de 23 de junho de 2021
Funcionamento: Visitação de terça a sábado, mediante agendamento prévio neste link
Classificação indicativa: Livre
Entrada gratuita

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