Maior representatividade feminina para um futuro melhor

Para Luiza Helena Trajano, a sociedade só será mais equilibrada quando houver uma participação mais ativa de todos, inclusive das mulheres

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Por Karina Fusco

Uma das empresárias brasileiras mais engajadas em questões relacionadas ao desenvolvimento do país, Luiza Helena Trajano dedica parte do seu tempo a estimular a equidade de gêneros na sociedade.

Formada pela Faculdade de Direito de Franca, Luiza também não mede esforços para replicar na sociedade ações de sucesso que ela idealizou em sua rede de lojas Magazine Luiza.  Um exemplo é a criação de um “disque-denúncia” para que suas funcionárias pudessem registrar casos de violência doméstica. A inciativa aconteceu em 2017, após o assassinato da gerente de uma unidade de Campinas, cujo marido é apontado como o responsável pelo crime.

A empresária, que esteve no Teatro Iguatemi no dia 6 de agosto para debater o protagonismo feminino no evento de comemoração do aniversário de um ano do Grupo Mulheres do Brasil, Núcleo Campinas, conversou com a Campinas Cafe sobre os caminhos para combater as desigualdades. “Não gosto de falar de empoderamento da mulher. É uma palavra muito desgastada. Parece que quando você empodera uma pessoa, tira o poder de outra. Eu prefiro falar de participação ativa de toda a sociedade. Se você existe, tem que atuar ativamente e a mulher é decisiva para isso”, ressalta.

CC: Como você vê esse movimento de aumento da participação da mulher em diferentes setores da sociedade?
Helena Trajano: Eu sempre acreditei que chegaríamos a esse ponto. Isso só acontece quando há uma mobilização do poder econômico. O mercado está acordando para algo que para mim já era óbvio. A gente não quer pegar o lugar dos homens, mas ter o nosso lugar. O que não podemos aceitar é a baixa representatividade feminina em todos os ambientes. Soube que na Câmara Municipal de Campinas há apenas uma mulher. Isso não é bom para a cidade. Tem que haver o equilíbrio da diversidade. Hoje ainda temos uma representatividade pequena de mulheres em Conselhos. Se não trabalharmos para mudar essa realidade, vai levar 120 anos para atingir a igualdade.

CC: Muitos casos de violência contra as mulheres estão vindo à tona…
Helena Trajano: Nós não podemos aceitar essa situação. Há três pilares muito importantes para virar o jogo. O primeiro é furar a nuvem, ou seja, mostrar que é uma realidade. O segundo é criar alternativas para essas mulheres. São Paulo lançou o projeto “Tem Saída”, para gerar trabalho e renda para as vítimas de violência doméstica. Muitas vezes elas ficam na mesma situação porque não têm dinheiro para se sustentarem. E o terceiro é política pública. Não podemos aceitar a delegacia da mulher não funcionar aos finais de semana, que é quando há mais casos de violência. A Lei Maria da Penha propõe transformar os postos de saúde em auxílio a essas mulheres e isso não sai do papel. Mas não basta culpar os políticos.

CC: O caso de violência doméstica com uma funcionária fez com que a senhora se tornasse mais ativa nessa luta?
Helena Trajano: Sim. Nossa gerente tinha 37 anos e 17 de carreira. Eu fiquei muito triste com o fato. Nunca soube que esse tipo de violência estava tão perto de mim. Diante do caso, resolvi abrir uma linha telefônica para receber denúncias. Já acolhemos 120 casos que envolvem inclusive pessoas que falam mais de três idiomas. Damos toda a cobertura e a empresa não gasta quase nada com isso. A iniciativa coíbe novos casos, pois os companheiros de nossas funcionárias ficam com medo de agir porque sabem que tem alguém por trás e que elas não estão sozinhas. A ideia agora é expandir esse projeto. Criamos um manual explicando como montar esse serviço nas empresas.

CC: Para a senhora, quais são os principais avanços da atuação feminina na sociedade?
Helena Trajano: Nesses cinco anos do grupo Mulheres do Brasil temos muitos ganhos. A violência está vindo à tona e o empreendedorismo feminino está segurando a economia no país, já que a mulher lida melhor com a crise. Hoje vemos um maior movimento da sociedade civil para erguer o Brasil. Ouço mulheres dizerem que estão cansadas de reclamar e preferem agir para dar um país melhor para os filhos. Hoje há uma consciência maior de cidadania. Queremos que as coisas boas do Brasil sejam vistas e respeitadas.

CC: Onde chegaremos em alguns anos?
Helena Trajano: 
Teremos mais mulheres ocupando altos cargos e haverá maior presença da mulher negra no mercado de trabalho. Com isso, o universo terá mais equilíbrio.

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