Por Karina Fusco

Em tempos em que a tecnologia faz com que as palavras sejam frequentemente digitadas e objetos como lápis, canetas e pinceis sejam deixados de lado, o lettering, que é a arte de desenhar letras combinando formas e fontes variadas, vem conquistando cada vez mais os brasileiros. Essa tendência pode ser percebida principalmente em lousas com frases inspiradoras que integram a decoração de ambientes residenciais e comerciais. Nas redes sociais, legiões de fãs compartilham esses trabalhos.

Segundo Murilo Braga, de 29 anos, professor da Pandora Escola de Arte, de Campinas, o lettering não é algo novo. “Há formações e modulações de palavras desde o período da Revolução Industrial que se assemelham em parte ao que tem sido feito hoje com o lettering. Agora vivemos uma retomada do retrô, não só nas artes visuais, e também a estética da escrita desenhada e a modalidade está com tudo”, afirma.

Ele explica que o lettering tem que trazer elementos próprios do desenho, que são composição, equilíbrio e cores, usando ferramentas de escrita e compondo uma imagem no final. No entanto, qualquer pessoa pode aprender as técnicas e exercitar o prazer de escrever à mão. “Manusear brush paint (um tipo de pincel) e as canetas caligráficas não demanda muita habilidade artística, ou seja, até mesmo quem nunca teve contato com o desenho consegue desenvolver as técnicas de forma rápida”, afirma.

Rafael Mlatisoma e Daniela Braga: hobby virou atividade principal do casal (Fotos: divulgação)

Mudando ambientes e vidas

Essa nova dimensão do lettering fez mudar a vida do casal de arquitetos Daniela Braga, de 31 anos, e Rafael Mlatisoma, de 30. Eles mantinham no antigo escritório, em São Paulo, uma parede, que era pintada de preto para usar como lousa e fazer anotações, croquis e cronogramas de obras. Ali, de vez em quando, escreviam frases positivas com desenhos e postavam no Instagram pessoal. “Alguns amigos gostaram e começaram a encomendar quadrinhos e painéis para casamentos. Com isso, acabamos criando a marca Na Lousa e não paramos mais. A arquitetura teve que ser deixada de lado para dar lugar às letras, tintas e paredes”, revela Daniela.

Além dos trabalhos em formatos de painéis, quadros e paredes inteiras, que registram alta demanda desde 2017, eles também viajam ministrando workshops para quem quer colocar a mão na massa. “Em nossos cursos, percebemos que a maioria dos alunos procuram o lettering por hobby. Muitos vêm com intuito de desestressar do trabalho”, relata Daniela.

Ela defende que força de vontade e dedicação são os ingredientes necessários se dar bem. “Mas facilita o aprendizado se a pessoa gostar de trabalhos manuais, souber desenhar e tiver alguma noção de fontes”, afirma.

Então, frases na cabeça e mãos à obra!

 

 

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