Estilo Vip – José Antonio Cremasco

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Por Neusa Leoncini                                                 

Quando se questiona um nome importante na esfera do Direito do Trabalho, um dos mais notáveis é o Dr. José Antonio Cremasco. Aquariano, nascido em Valinhos, foi militante desde  1980, é professor na UNIFAJ, conselheiro estadual da OAB,  ex- presidente da 2ª Turma do Tribunal de Ética, fundador e atual presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de Campinas. Já publicou três livros sobre Ética Profissional. Acompanhe a singela pincelada sobre sua vida, escolhas múltiplas e seu pensamento.

Neusa Leoncini: Qual foi o caminho acadêmico?
Dr. José Antonio Cremasco: Tenho pós graduação em Direito de Trabalho. Sou professor da matéria, lecionando atualmente na UNIFAJ, porém minha paixão e vocação é na advocacia do dia a dia. A prática do direito é a minha maior fonte de conhecimento.

Neusa Leoncini: Sua especialidade é o direito do Trabalho. Qual a qualidade mais importante para ser um bom profissional nesta área?
Dr. José Antonio Cremasco: 
Um bom profissional no direito do trabalho ao meu ver deve primeiro de tudo estar atento a necessidade do seu cliente, agindo assim de forma rápida e efetiva. Claro que o saber jurídico, mantendo-se sempre atualizado, o respeito aos magistrados,  e  aos funcionários ajuda, mas o essencial é ter a responsabilidade de que estamos lidando com a vida do cliente.

Neusa Leoncini: A mudança da Legislação foi ruim ou foi boa?
Dr. José Antonio Cremasco: Tenho certeza que foi ruim tanto para os empregados como para os empregadores. Para os empregadores porque trouxe incerteza jurídica. Para os empregados porque tenta impedir ou dificultar o acesso à justiça, sem, contudo, ter oferecido soluções para enfrentar o descumprimento da Lei e os conflitos trabalhistas. Essa alteração foi irresponsável e certamente vai trazer grandes conflitos no mundo do trabalho.

Neusa Leoncini: Os pequenos e médios empregadores dizem que não aguentam pagar todos os direitos ao trabalhador através da CLT.
Dr. José Antonio Cremasco:Essa crítica não tem sustentação. A Legislação trabalhista nunca inviabilizou qualquer atividade empresarial, lembrando que a CLT está em vigência desde 1943. Na verdade são os impostos, os juros elevados e a concorrência desleal daqueles, que descumprem a legislação trabalhista é que sacrificam os pequenos e médios empregadores.

Neusa Leoncini: Os grandes empregadores não pagam corretamente os direitos?
Dr. José Antonio Cremasco: Muitas vezes não! As grandes empresas e grandes bancos muitas vezes deixam de pagar direitos trabalhistas jogando com a possibilidade  de que muitos trabalhadores não irão cobrar seus direitos na Justiça, obtendo com isso lucros às custas dos trabalhadores.

Neusa Leoncini: Por que eles arrastam os processos até 3ª instância?
Dr. José Antonio Cremasco: Primeiro porque a legislação brasileira permite vários tipos de recurso. É sempre bom lembrar que quem faz as leis são os deputados que elegemos. Segundo porque a lógica de quem deve é protelar o  máximo possível o pagamento. Sempre é bom lembrar que no Brasil recorrer para instâncias superiores é muito barato. Imagine que um devedor trabalhista de  um milhão de reais  consegue chegar com um recurso até terceira instancia (TST) gastando menos de cinquenta mil reais.

Neusa Leoncini: Uma das críticas a CLT, é que só existe no Brasil e acaba amarrando as contratações causando desemprego. O que acha?
Dr. José Antonio Cremasco: Jamais! Não acredito que os trabalhadores brasileiros tenham  tantos direitos assim. Em verdade, estamos em um país com alto índice de desemprego por falta de interesse político e pela desigualdade social que só cresce. No mundo inteiro existe legislação protetora. O problema está na economia e não nos direitos assegurados aos trabalhadores, que repito são mínimos. Quando se fala em comparar os direitos trabalhistas existentes no Brasil com o de  outros países é necessário que antes seja  comparado os salários pagos, para que possa avaliar  se a nossa legislação trabalhista é que inviabiliza a atividade empresas. Ao fazer essa comparação certamente constataremos que não.

Neusa Leoncini: Viagens, um hobby ou um aprendizado?
Dr. José Antonio Cremasco: Meu destino preferido é Portugal. Meu hobby é andar a cavalo, e o aprendizado é o que me faz sentir revigorado para continuar na luta.

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