Por Karina Fusco

Em um entardecer de outono, a Fazenda Argentina, que abriga a 23ª edição da Campinas Decor, foi o cenário para uma entrevista especial com as organizadoras da mostra e damas da decoração, as empresárias Sueli Cardoso e Stella Pastana Tozo.

Sueli, que é decoradora, participou como expositora desde a primeira edição em 1996 até que, em 2001, a proprietária Silvana Franco comunicou que a estava vendendo a mostra. A artista plástica Stella, que tinha participado no primeiro ano na organização, tinha acabado de sair do hospital após uma cirurgia e, em uma conversa entre elas, foi definida a aquisição da marca.

Ao longo desses 17 anos, foram muitos desafios, muito trabalho e também uma enorme satisfação ao ver a Campinas Decor se firmar como a principal mostra do interior. “Além disso, nos dá uma grande satisfação ajudar a movimentar o mercado local e ver os profissionais crescendo e atuando até em projetos internacionais”, afirma Sueli.

A seguir, elas revelam um pouco do trabalho desenvolvido ao longo do ano para a exposição acontecer e destacam a parceria com os profissionais da região que se superam a cada ano.

damas da decoração

Campinas Cafe: Como vocês avaliam o crescimento da Campinas Decor?
Sueli Cardoso: Na primeira edição que fizemos, em 2002, já houve um crescimento significativo de público e os profissionais abraçaram a nossa ideia de sempre inovar e apresentar novas propostas. Fizemos algumas edições em locais que são patrimônio histórico da cidade, como a Estação Guanabara. Ali tivemos um grande reconhecimento, foi um divisor de águas. Já em termos de beleza e número de ambientes, a edição de 2009 marcou muito porque aquele prédio do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) tem um importante valor histórico e arquitetônico. Foi gratificante por tudo, pela beleza, pelo recorde de público, pela história do prédio, pelos ambientes. Havia uma rua com casinhas que transformamos em ambientes comerciais como se fosse uma vila. O nome original era Rua da Alegria.

Campinas Cafe: E quais foram os principais desafios ao longo dos anos?
Sueli Cardoso: Um deles aconteceu nessa edição da Fazenda Argentina. Um profissional que assinaria o ambiente da bilheteria teve um problema pessoal e a sete dias do evento tivemos que assumir e construir o ambiente do zero. Ligamos para inúmeros fornecedores e conseguimos pintar, decorar, iluminar e deixar tudo pronto para a inauguração. Fiquei três noites sem dormir de ansiedade e de medo de que não desse tempo, afinal, dependia de muita gente e era a entrada da mostra. Mas deu tudo certo. Outro momento foi em 2016, quando aconteceu aquela microexplosão que fez muitos estragos na cidade. A mostra já estava em andamento no Palácio de Cristal, no Largo do Café, e houve destruição. Na manhã seguinte já havia mais de 100 pessoas ajudando a reorganizar tudo para reabrimos a mostra. Na ocasião, foi só uma noite que ficamos sem dormir.

Campinas Cafe: Como é o cronograma de organização da mostra?
Stella Tozo: Assim que uma edição finaliza, começam os trabalhos para a próxima. O primeiro passo é achar o local. Depois partimos para os projetos considerando as características do imóvel escolhido com atenção especial à circulação e ao favorecimento da visitação de todos os ambientes. Também criamos uma família fictícia e os ambientes que serão necessários de acordo com o perfil desses “moradores”.

Campinas Cafe: Como vocês definem esses personagens?
Stella Tozo: Procuramos inseri-los em temas atuais. Teve um ano que havia uma quantidade maior de quartos e queríamos colocar um bebê como membro da família. Então, criamos o quarto da neta, considerando que uma das filhas teve um bebê de forma independente. Já criamos também um loft da diversidade. Agora estamos pensando em dar maior destaque a essas “pessoas” nas próximas edições.

Campinas Cafe: Quanto tempo leva, em média, essa etapa?
Stella Tozo: Essa etapa de definir a família e quantos e quais serão os ambientes deveria levar três meses, mas geralmente mergulhamos no trabalho e fazemos 15 dias. O que demora mais é para encontrar o imóvel. Para a edição atual, enquanto procurávamos um local, recebemos a ligação da Unicamp e foi agendada uma reunião em que foi disponibilizada a Fazenda Argentina. Fizemos a visita na companhia de três representantes da instituição em setembro e saímos do local já sabendo o que queríamos fazer. A fazenda nos encantou. Havia tucanos, garças… era um local perfeito. Essa integração com a natureza permite com que a visita à mostra se transforme em um passeio especial.

Campinas Cafe: O que acontece a seguir?
Sueli Cardoso
: Geralmente em outubro realizamos o evento de lançamento para os profissionais do setor, que podem se inscrever em três ambientes que gostariam de fazer. No mesmo dia voltamos para o escritório porque ficamos com muita curiosidade para ver o que foi proposto e pegamos as fichas de inscrição, montamos uma grande planilha e vamos selecionando quem irá participar.

Campinas Cafe: Quais são os critérios usados para esta definição?
Sueli Cardoso
: Conta tempo de mercado, quantas edições já participou, outros eventos que fez, premiações recebidas e matérias espontâneas na mídia. Vamos pontuando e definindo as participações. Mas sempre reservamos dois ou três lugares para novos talentos, que são profissionais com até três anos de graduação. Os escolhidos são comunicados, assinam o contrato e começam a desenvolver os projetos.

Campinas Cafe: Vocês interferem nos projetos que eles apresentam a vocês?
Sueli Cardoso: A exposição é o único lugar em que o profissional consegue apresentar seu gosto pessoal, pois não há um cliente a ser atendido. Ele consegue mostrar para os visitantes quais são as tendências, apostando nas cores, no layout e no estilo que ele prefere. Só interferimos quando há algum empecilho para a circulação ou algo que contrarie o que está previsto em contrato.

Campinas Cafe: Como são os bastidores para deixar a mostra pronta?
Stella Tozo: Ficamos dois meses meio enlouquecidas. São mais de mil pessoas, entre expositores, fornecedores e profissionais que trabalham no evento, envolvidas para a mostra acontecer. Também fazemos questão de valorizar os profissionais que pegam no pesado. Todos ganham convite para conferir, como visitante, o trabalho que fez e contribuiu para deixar os ambientes prontos. Além disso, há uma série de atividades relacionadas, como conferir e fotografar os ambientes e também fazer a revista institucional. A vida pessoal fica de lado e a despensa da casa, vazia. O foco é a mostra. Os únicos que eu consigo dar atenção nesse período são meus netos.

Campinas Cafe: Com o encerramento da visitação pública, a finalização dos trabalhos é rápida?
Sueli Cardoso: Ainda ficamos cerca de 60 dias envolvidas com a desativação dos ambientes e acompanhamos o trabalho dos expositores, que têm o compromisso de deixar cada ambiente tal como acordado com o proprietário do imóvel.

Campinas Cafe: O que mudou na vida após assumir a Campinas Decor?
Stella Tozo:Eu era empresária na área de telecomunicações e, apesar de ter cursado Artes Plásticas, nunca tinha trabalhado com isso. Quando participei da primeira mostra, na organização, adorei a experiência, conheci muitas pessoas e fiz amigos. Quando assumimos o projeto, assumi algo que eu gosto muito de fazer.

Campinas Cafe: E no seu caso, Sueli?
Sueli Cardoso: No passado, eu me incomodava quando ouvia as pessoas dizerem que nada acontecia em Campinas. Antes, procura pro profissionais e objetos era apenas por São Paulo. Agora, a cidade recebe lojas de grande porte, como a Breton. Acompanhar isso me dá uma sensação muito boa. Hoje eu tenho uma satisfação enorme ao ver que o mercado local de arquitetura e decoração cresce ano a ano e os profissionais são valorizados.

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