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                              *Por Shirlei Miranda Camargo 

Shirlei Miranda Camargo é coordenadora Adjunta dos Cursos de Administração do Centro Universitário Internacional Uninter. Imagem: Divulgação

A saída da Ford do Brasil pode ser o reflexo não só de problemas políticos e econômicos. Podemos estar sendo testemunhas do início de uma disrupção de mercado. Tal fenômeno ocorre quando um modelo de negócio sofre uma grande mudança, podendo inclusive levar ao surgimento de um novo mercado. Temos um exemplo clássico do setor fotográfico, as indústrias de máquinas, flashes, filmes e papel fotográfico, além das milhares de lojas de revelação, em pouco tempo desapareceram do mapa dando lugar à tecnologia digital. E obviamente, toda esta mudança foi influenciada e influenciou o comportamento do consumidor deste mercado.

A “bola da vez” pode estar sendo o mercado automobilístico, e um dos indícios pode ser observado quando analisamos uma queda no interesse dos jovens em tirar a sua carteira de motorista, o que obviamente repercute na venda de carros. Para averiguar esta aparente tendência, analisei os dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) sobre a quantidade de primeiras habilitações emitidas nos últimos anos. Percebi que, apesar do número de primeiras habilitações, no geral, crescerem 16% de 2015 até 2019, a quantidade de jovens (18-25 anos) que tiraram sua carteira neste mesmo período, caiu 6%. Interessante notar que, bem neste período, o Uber surgiu e se fortaleceu aqui no Brasil.

Imagem: Divulgação

Isto pode ser um reflexo das características desta nova geração Z, ou seja, aqueles nascidos a partir de 1995. Além de serem nativos digitais, são fãs da economia compartilhada. Segundo a pesquisa “Jovens Transformadores” realizada pelo CIP (Centro de Inteligência Padrão), em parceria com a MindMiners, 70% deste público apoia a economia compartilhada por causa da facilidade, praticidade e custo/benefício. Ainda, de acordo com este estudo, 56% acredita que as pessoas irão consumir muito menos e compartilhar muito mais. É a geração que não se preocupa com o “ter”, mas sim com o “usar”.

Portanto, creio que o sonho do primeiro carro, bem comum às gerações anteriores, não ocupa espaço tão importante na lista de desejos dos jovens atuais. Obviamente, isso reflete nas vendas de carros. Assim sendo, se eu trabalhasse na indústria automobilística, estaria bem atento a este movimento, já pensando em novas soluções para não ser a “Kodak” da vez.

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