*Texto de Daniela Angeja *

Daniela Angeja é brasileira, leitora da Campinas Cafe e atualmente mora no Myanmar, país da Ásia.

Em tempos de COVID, as emoções correm soltas, num misto de desespero solitário calado e revolta exacerbada que tem vontade própria de se exprimir num grito alto de liberdade contida.

Como analisar de forma verdadeira e profunda o que se passa em Myanmar? Primeiro COVID-19 e agora o Golpe Militar, como se já não bastasse mais nada para aumentar a crise social. Como dizer a verdade sem exageros, premeditações cínicas e influenciadoras ou mesmo de caráter puramente ignorante?

Falo hoje do que vejo e do que sinto, nestes sete dias de manifestações contínuas, que se perpetuam pelo bater das panelas noite à dentro.

Longe de querer fazer análise política da situação, prefiro falar da análise humana da situação. Esse povo simples, que muitos julgam subdesenvolvido por não terem os padrões ou os pertences intrínsecos do chamado primeiro mundo. O que é ser desenvolvido? Estar no Ter ou no Ser? Podem até achar uma visão romântica, com “história da carochinha”, mas a verdade é que esse povo está dando uma lição de civismo e altruísmo ao primeiro mundo.

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Foto: Robert Letchford

Hoje, com milhões de pessoas na rua em todo o país e perto de 1,5 milhões só nas ruas de Yangon, o povo de Myanmar nunca esteve tão consciente de suas convicções e como direcionar a sua frustração e indignação pela tomada do poder político pelos militares, e a consequente prisão de sua amada líder Aung San Suu Kyi.

Foto: Robert Letchford

Ordenadamente gritam e aclamam pela libertação da sua líder, oferecem flores e água aos transeuntes que passam pelas ruas em um calor abrasador. Organizam-se em filas com cordéis, para evitar, na medida do possível, que seja atrapalhado o tráfego dos carros que passam. Trazem sacos de lixo para recolher as garrafas de plástico e todo e qualquer lixo gerado durante as manifestações de protesto. Aclamam, cantam, vestem-se de super-heróis e comandam a “procissão”, que quando passa, não deixa qualquer vestígio de destruição ou desordem, muitas vezes visto em manifestações semelhantes por este mundo fora!

Parabéns ao Povo de Myanmar, que cada vez mais amo, respeito e considero e no qual as nações ditas “desenvolvidas” deveriam se espelhar neste verdadeiro exemplo de cidadania. Reclamar pelos seus direitos sem destruir o património nacional ou alheio, mas sim com respeito, persistência e resiliência.

Ainda não sei se Myanmar (Burma) será a Terra Dourada (Golden Land) como é conhecida mas, certamente, é a Terra do Povo Dourado (The Golden People).

Espero sinceramente que consigam a tão almejada e de direito DEMOCRACIA.

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Foto: Robert Letchford
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Foto: Robert Letchford

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