Espelhos, espelhos e mais espelhos. É no banheiro de casa, é no elevador do prédio, é no retrovisor do carro, no trabalho, na academia. Isso quando não paramos em frente a um daqueles que nos refletem por inteiro, e lá ficamos, avaliando e caçando cada mínimo defeito do nosso corpo. Enfim, nossa autoimagem refletida está em todos os cantos, o tempo todo. A cintura afinou? A pele está mais flácida? Cabelos brancos apareceram? Meu bíceps está maior? São alguns dos questionamentos típicos, que assolam nossos pensamentos. Não à toa quadros depressivos surgem quando não atingimos os padrões pelos quais a sociedade diz serem os ideais.
A mim, porém, como educador físico, fica a missão de ajudá-los na pergunta seguinte àquelas: “então, o que, de fato, importa, no decorrer dos anos? O que, afinal, impacta nossa saúde?
Cabelos brancos, por exemplo, pouca relevância têm à sua qualidade de vida. Se assim fosse, o nosso carrasco francês, o grande boleiro Zinedine Zidane, não teria tido tamanho desempenho na final da Copa de 1998. E ainda, o que dizer de tantas cabeleiras grisalhas, fazendo bonito em corridas de rua, mundo afora?
Amigo leitor, o que vem ao caso quanto ao envelhecimento é a massa magra (ou massa muscular). Esta perda é natural e, fisiologicamente falando, ela começa aos 35 anos de idade. E é aqui que reside meu alerta. Estancar este processo, ou ainda, revertê-lo é muito mais válido à sua vida do que “pés de galinha”. É com esta massa que se pode controlar as dores articulares, as dores na coluna ou as tantas outras doenças (cardiopatias, por exemplo), típicas da idade que avança, inexoravelmente.
Este é o envelhecimento que pessoas informadas como você devem se preocupar. Para se ter uma ideia, um estudo recente mostrou que 72% da população investigada em clínicas particulares de reumatologia, com diagnóstico confirmado de lombalgia, tinha característica sedentária (Prof. Esp. José Jean de Oliveira Toscano). Outro, por sua vez, diz que em portadores de lombalgia, os músculos extensores lombares habitualmente são mais fracos (Revista Brasileira de Reumatologia).
Outro ponto muito relevante é a alteração do nosso metabolismo. Neste tocante, o sistema muscular é o único que impede que as calorias dos alimentos sejam armazenadas em forma de gordura. Ou seja, a demanda para se manter a força muscular é muito maior do que a necessidade ou tendência natural do nosso metabolismo em acumular mais “pneuzinhos” na cintura. É como se ele chegasse à conclusão de que acumular gordura tem menos importância do que recuperar a massa muscular. Também podemos dizer que essa é a famosa “reeducação corporal”, pois simplesmente reduzir a ingestão calórica não é um caminho muito saudável. No entanto, consumir mais do que gastamos, sim. Se ingerirmos 1.500 kilocalorias/dia, que nossa demanda metabólica seja de 1.600. Mas, se ingerimos 4.000, que, também, venhamos a consumir além disso. Nadadores de nível olímpico, frequentemente, ultrapassam as 10 mil Kcal/dia, por exemplo, mas não engordam, porque consomem isso e muito mais, afinal, haja músculo.
Pois é, meus caros! Quando se trata de saúde X envelhecimento, a perda de massa muscular é determinante para que continuemos a levar nossos filhos, netos e quem sabem, bisnetos de cavalinho nas nossas costas. Ok, pode caçar seus fios brancos no espelho, mas veja também em que pé anda sua força. Boa sorte e até a próxima.

Prof. Rodrigo Domingues.
Contato: mac@macassessoriaesportiva.com.br
O professor Rodrigo Domingues é pós-graduado em Educação Física, docente em Ciências da Saúde e proprietário da MAC Assessoria Esportiva.

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