Um dos temas mais recorrentes quanto à saúde, inclusive gerando debates acadêmicos, trata dos limites entre se ter saúde versus alcançar altos níveis de performance. É comum considerarmos um atleta alguém muito saudável, sem quaisquer riscos, por exemplo, cardiovasculares. Mas uma breve pesquisa irá nos mostrar quantos são os casos de profissionais que vieram ao óbito durante um jogo. A questão aqui, entretanto, é atentarmos aos nossos limites genéticos. E, mais atenção ainda quando, uma vez alcançados, resolvemos buscar meios insalubres de ir além, onde os famigerados anabolizantes ganham atenção. Isso porque a mente quer que o corpo siga evoluindo, mas este já não consegue suportar as cargas ainda mais intensas no treinamento.
Os sinais são diversos, tais como dores persistentes nas articulações, músculos doloridos por dias, insônia, entre outros mais graves, como as fraturas por estresse. Até aqui, as consequências não irão muito além aos anti-inflamatórios e uma eventual imobilização.
Todavia, o problema mais grave segue silencioso, além a um gelo no final do treino. Trata-se das cardiopatias. Aqui entenda-se: arritmias, prolapso da válvula mitral (sopro), insuficiência cardíaca, arterioesclerose (enrijecimento das artérias), ateroesclerose (obstrução das artérias) hipertensão arterial sistêmica, só para citar o de praxe. E quantas pessoas de fato buscam o diagnóstico destas antes daquela volta na lagoa?
Podemos levantar uma hipótese usando a ateroesclerose como exemplo, onde a obstrução parcial de uma artéria, apesar dos pesares, nunca nos causou dores ou problemas, afinal, a demanda de sangue nos músculos, há anos, é muito baixa. No entanto, aos nos esforçarmos, aumentamos a pressão sobre esta placa (ateroma) e, eis que num belo dia, ela se desprende, seguindo o fluxo sanguíneo até encontrar um vaso de menor calibre, causando a obstrução total. O resultado? Provavelmente um AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico ou um infarto agudo do miocárdio. Dois recentes casos aqui em Campinas, em maio deste ano, são as provas doloridas destas verdades. E, para gerar mais inquietação ainda, um tinha 37 e o outro apenas 23 anos de idade.
Uma das lições que se pode ter, então, é que buscar o alto rendimento em poucos dias, ou querer tirar a diferença de anos parado, é consideravelmente arriscado, ainda mais sem orientação, tanto de profissionais de educação física quanto de médicos. É óbvio que isso não nos dá ao direito de protelar a matrícula na academia ou a compra de uma bicicleta, até porque, provavelmente aquele ateroma nem teria se formado caso hábitos de vida saudáveis tivessem sido adotados. Boa sorte, e até a próxima!

Prof. Esp. Rodrigo Domingues
Docente em ciências da saúde, personal trainer e proprietário da Prevenção Fit.
Contato: rodrigo.professor@gmail.com ou (19)98113 0995