Antes de chegarmos nesta conclusão, vamos compreender algumas definições fundamentais!

Por Graziela Caproni

A primeira diferença entre esses dois problemas está na substância do leite – ou seja, a alergia está relacionada à proteína do leite de vaca (caseína) enquanto a intolerância está ligada ao açúcar do leite, que é a lactose. A alergia tem a ver com uma resposta acentuada do nosso sistema imunológico (“exército de defesa” do corpo) e costuma restringir mais a vida da pessoa, pois os sintomas aparecem rapidamente não só pela ingestão do leite, mas também pelo contato ou até cheiro do alimento.

Sintomas
Alergia à proteína do leite – são sistêmicos (que atingem todo o corpo): na pele, pode ocorrer coceira, vermelhidão, bolinhas e inchaço nos lábios, olhos e orelha; já nas vias respiratórias, pode aparecer tosse, chiado, falta de ar, edema na glote e até mesmo choque anafilático. Depressão, hiperatividade e autismo são doenças também atualmente relacionadas com a alergia às proteínas do leite. E sintomas locais, intestinais, também podem ocorrer, como barriga inchada, dor e até sangue nas fezes.
ATENÇÃO – Cosméticos como xampus, hidratantes e até lenços umedecidos podem ter leite. A criança com suspeita de alergia deverá continuar sendo amamentada (se ainda estiver nesse período), lembrando que a reação é ao leite de vaca e não ao leite materno. É a mãe, nesse caso, que terá de seguir uma dieta especial, sob a orientação de um nutricionista.
Intolerância à lactose – Nesse caso, os sintomas podem ser gases, barriga inchada e diarreia, mas depende muito da quantidade ingerida, ao contrário da alergia.

Como surge?
A alergia pode ser desencadeada a partir da ingestão de leite industrializado como complemento nos primeiros meses de vida da criança ou mesmo por uma questão hereditária. Já a intolerância ocorre quando o paciente diminui ou para de produzir a enzima capaz de quebrar o açúcar do leite, o que o faz sentir algum desconforto gastrointestinal quando ingere a bebida.

Alimentos “Lactose free”
Na intolerância, usar alimentos sem lactose diminui o desconforto. Para tanto, é preciso descobrir, usando o método de tentativa e erro, o limiar de aceitação do seu organismo e evitar ultrapassá-lo. Mas, para o alérgico, essa regra não se aplica e o alimento ou qualquer produto que o contenha precisarão ser banidos da mesa e da vida como um todo.

Você sabia…
Que a sensibilidade aumentada à lactose, causada pela de lactase, é a intolerância alimentar mais comum. Segundo estimativas brasileiras, ela atinge quase 70% das pessoas em algum momento da vida, até porque, nós seres humanos fomos programados para consumir leite na infância, como os animais.

CONSEQUÊNCIAS DA DIETA EQUILIBRADA
Com a intolerância ou alergia controladas, o intestino se regulariza, o humor e o sono melhoram, as doenças respiratórias somem, a acne diminui, as dores de cabeça ficam menos frequentes e até o peso muda. Já há no mercado a enzima lactase sintética, que a pessoa pode ingerir antes de consumir o alimento com lactose. A questão crucial é a reação inflamatória na mucosa intestinal ocasionada pelas proteínas do leite: a disbiose – uma alteração na flora bacteriana do intestino que ocasiona alteração na absorção de nutrientes, produção de determinadas vitaminas e exacerba um processo inflamatório prévio. Se queremos tratar essa disbiose, nada melhor que a suspensão de alimentos alergênicos.

ATENÇÃO
Tirar isso ou aquilo da dieta, porque está na moda, porque o ciclano tirou e mudou a vida, não é o caminho mais seguro. A supervisão de médico e/ou nutricionista é fundamental, não só para o diagnóstico, como para o tratamento, substituições e outras opções alimentares. Ao diminuir os lácteos deve-se ampliar o leque de outras fontes de vitamina D, cálcio, magnésio, boro, prevenindo o desenvolvimento, por exemplo, de uma osteoporose no futuro.

Graziela Caproni é nutricionista e comanda o projeto Ciclo Novo – Emagrecimento Inteligente em Grupo. www.ciclonovo.com.br / Instagram: @grazicaproni

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